Capítulo 01 —
Maia Do é uma entusiasta de arte, nascida e criada em Hanói. Depois de ir estudar para o estrangeiro, para os Estados Unidos e o Reino Unido, regressou ao Vietname. De volta a casa, acabou por entrar acidentalmente no próspero cenário artístico da capital e liderou a Sophie's Art Tour em Hanói durante vários anos. Aqui partilha a sua perspetiva sobre as mudanças recentes, dicas para amantes de arte e os seus locais favoritos na cidade.
Como foi crescer em Hanói?
No final dos anos 90, não tinha nada a ver com o que é hoje. A minha avó ia buscar-me ao jardim de infância e à escola primária num ciclo—agora só os vê com os turistas no Bairro Antigo! Quando o meu pai comprou a primeira mota, foi um grande acontecimento. Agora vêem-se milhões delas na rua.
Nas estradas, o cenário era completamente diferente. Passeava-se ao longo do Lago do Oeste e não havia vivendas, nem casas bonitas. Era apenas um lago gigante rodeado de lagoas e campos. Olho para as fotos de família antigas e penso: "Espera lá, onde é isto?". Não tem nada a ver com o que é hoje.
O que acha das mudanças pelas quais Hanói passou?
É um pouco estranho, porque, como estamos a viver no meio da mudança, às vezes não sentimos o ritmo dela. Com a chegada da tecnologia, as pessoas aprendem as coisas muito rapidamente. Mas depois há quem se recuse a mudar e se mantenha na sua própria bolha. Temos coisas a acontecer muito depressa lá fora e, ao mesmo tempo, pessoas que querem manter as coisas à maneira antiga.
Aonde leva os seus amigos e familiares quando a vêm visitar?
Todos os locais onde levo as pessoas são sítios para comer. Por exemplo, no outro dia levei um amigo a Hòe Nhai, onde há um restaurante de bít tết. O bít tết é uma versão vietnamita do requintado bife à francesa. O bánh cuốn, também na rua Hòe Nhai, é outro prato realmente ótimo para provar. Depois, claro, o bún chả, quer na rua Hàng Mành, quer junto ao mercado de Đồng Xuân.
Também levo as pessoas ao Restaurante Chim Sáo, um restaurante de temática tradicional. As pessoas vestem-se com roupas camponesas à antiga e o restaurante fica numa vivenda francesa. A comida é maravilhosa—é o tipo de comida que faríamos em casa.
Se é um amante de arte de visita a Hanói, o que deve saber?
O cenário artístico em Hanói, neste momento, está dividido em diferentes grupos. Dependendo do que pretende ver, pode contactar esse grupo em particular. Se quiser ver arte contemporânea, instalações e vídeos, existem locais como a Art Vietnam e a Manzi. Se quiser comprar uma peça, a Apricot Gallery e a Green Palm Gallery são as grandes galerias da cidade e representam uma enorme variedade de artistas.
Onde é que as pessoas podem aprender facilmente mais sobre a arte vietnamita?
O museu de belas-artes é um bom ponto de partida porque mostra toda a história: o artesanato antigo e tradicional até à época colonial, quando os franceses trouxeram as belas-artes para o Vietname, e quando esta mudou para arte de propaganda durante o período da guerra. O trabalho de curadoria do museu é cronológico, pelo que pode ver toda a história da arte vietnamita, bem como as mudanças no estilo e no conteúdo.
Quais são alguns dos seus cafés favoritos em Hanói?
Gosto de levar as pessoas a sítios clássicos, como o Đinh Café. O Đinh fica no segundo andar de uma casa antiga francesa com vista para o lago Hoan Kiem. É um local muito agradável para ver o antigo estilo vietnamita, tem uma atmosfera meio mística e fumarenta e as bebidas são fantásticas.
Também adoro os cafés escondidos, como o Pho Co Café no número 11 da rua Hàng Gai. O Nola Café também é muito fixe. Agora há uma galeria no topo—a partir do topo pode olhar para baixo para a casa mais antiga da rua.
Sente que existe tensão entre a antiga e a nova Hanói?
Pode haver tensão entre o antigo e o novo, ou pode ser uma relação bonita. Acredito que as pessoas estão a inclinar-se mais para essa bela ligação do que para a tensão. Acho que, de certa forma, como o Vietname está a mudar tão depressa, não se pode trazer o antigo de volta, por isso por que não tornar algo antigo, novo? Torná-lo parte das nossas vidas novamente—apenas melhorado ou num nível acima—e então torna-se algo novo e único.




