
Os meus bisavós, os meus avós, os meus pais, eu e até os meus filhos, nascemos em Hang Bac. As minhas memórias de Hanói são de Hang Bac.
Ser do Bairro Antigo é bastante divertido. Antigamente, cada rua vendia apenas um tipo de coisa. A minha rua vendia ouro. A minha avó era comerciante, então cresci rodeado de ouro. Lembro-me do cheiro quando queimavam o ouro. Adorava quando via os rapazes a fazer anéis, a aquecer muito o metal. Quando o ouro ficava vermelho incandescente, eles mergulhavam-no na água e o som quando o tiravam — adoro esse som. Agora sou DJ e, se pudesse, gravaria todos esses sons.

Hang Bac foi uma das primeiras ruas em Hanói a vender CDs. Naquela época, as lojas de CDs em Hang Bom e Hang Bac eram as maiores. Eu costumava vender letras de músicas. Descarregava todos os cartazes e músicas. Chegava a ficar acordado a noite toda só para descarregar um vídeo. Então cresci com a internet, e depois um amigo apresentou-me a música inglesa. Desde então, tenho-me dedicado cada vez mais à música ao vivo.
Quero criar uma experiência de qualidade aqui. Quero que as pessoas venham ao Vietname não apenas por causa da Baía de Halong ou de algum museu de guerra.

Em Hanói, se sair, só tem duas escolhas: café ou discotecas. Os meus amigos de Inglaterra vieram cá e disseram: “Não há nada para fazer depois das 21h!” Então pensei: “Deixa-me fazer alguma coisa.” Quero criar uma experiência de qualidade aqui. Quero que as pessoas venham ao Vietname não apenas por causa da Baía de Halong ou de algum museu de guerra. Quero que as pessoas venham cá também porque, ‘Há um bar speakeasy agradável em Hanói, e devíamos ir lá’, sabe?
Eu passei um tempo no estrangeiro e adorei. Pensei que os meus amigos aqui também deviam experimentar isso. Queria dar-lhes mais escolha. E queria fazer algo por Hanói. É parvo dizer isso, para ser honesto, mas eu queria mesmo.

Sou um vietnamita, então pensei em fazer algo no meu estilo e no estilo do meu país. Pensei em recriar algo da era da Indochina. Então essa foi a ideia: Quando se atravessa a porta, entra-se por um túnel para outro mundo.
Acho que Hanói tem muitas oportunidades para empreendedores fazerem algo de que gostam. É um país emergente e tudo ainda é barato. Não é preciso ir para o ocidente e gastar alguns milhões de dólares para fazer a mesma coisa. Aqui há mais oportunidades.

Claro. Quero que os meus filhos fiquem aqui e sejam hanoienses antes de irem para qualquer outro lugar. Todos os meus três filhos estão a estudar em escolas internacionais, então falam bem inglês, mas ainda quero que tenham Hanói dentro deles.